Uma vistoria realizada durante a noite no Serviço de Pronto Atendimento (SPA) do Galileia, localizado na Zona Norte de Manaus, revelou, segundo denúncia do prefeito Renato Junior, uma série de problemas estruturais e de atendimento na unidade de saúde administrada pelo Governo do Amazonas.

Durante a inspeção, o prefeito registrou em vídeo as condições encontradas no local e afirmou que a situação estaria contribuindo para o agravamento da superlotação em hospitais de referência da capital. Entre os problemas apontados estão a paralisação do aparelho de raio-X há mais de 30 dias, iluminação comprometida na sala de exames e a falta de água potável e copos descartáveis para pacientes e acompanhantes que aguardavam atendimento.

Funcionários da própria unidade teriam confirmado que o equipamento de radiografia está sem funcionar devido a um defeito. O problema afeta diretamente o atendimento de pacientes que precisam realizar exames de imagem, principalmente vítimas de acidentes, quedas e outros tipos de trauma.

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Outro ponto destacado durante a vistoria foi a situação da iluminação na sala de radiografia. Conforme registrado pelo prefeito, apenas uma das seis luminárias existentes no teto estaria funcionando, deixando o ambiente praticamente às escuras.

Impacto na rede de urgência

Renato Junior afirmou que a paralisação do equipamento provoca um efeito em cadeia no sistema de atendimento de urgência e emergência de Manaus. Segundo ele, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), administrado pela Prefeitura de Manaus, enfrenta dificuldades para encaminhar pacientes vítimas de acidentes para unidades estaduais que não possuem condições de realizar exames de raio-X.

De acordo com o prefeito, pacientes que poderiam ser atendidos em unidades de pronto atendimento localizadas nos bairros acabam sendo encaminhados para hospitais de maior porte, como o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, na Zona Centro-Sul da capital.

Na avaliação apresentada por Renato Junior, essa situação contribui para o aumento da demanda e para a sobrecarga das equipes que atuam nas unidades de referência.

“Imagina que você se acidentou de moto. O SAMU da Prefeitura de Manaus faz a regulação, liga para todos os prédios, os hospitais e SPAs do Governo do Estado. Só que quando liga para cá, para o SPA do Galileia, não está funcionando o raio-X há mais de um mês. As pessoas são levadas para o 28 de Agosto e lá superlota”, declarou o prefeito durante a inspeção.

Falta de água e insumos básicos

Além do problema relacionado ao equipamento de diagnóstico por imagem, a vistoria também apontou, segundo a reportagem, a ausência de água potável e copos descartáveis disponíveis para os usuários na sala de espera da unidade.

Um dos pacientes presentes no local relatou que, para conseguir beber água enquanto aguardava atendimento, os usuários precisariam levar garrafas de casa ou comprar recipientes em estabelecimentos comerciais próximos para coletar água.

Diante das condições encontradas, Renato Junior fez críticas à administração estadual da saúde e cobrou providências para solucionar os problemas registrados no SPA do Galileia.

O prefeito também acusou o governador Roberto Cidade de tentar responsabilizar o SAMU pela superlotação dos hospitais e afirmou que continuará realizando fiscalizações presenciais em unidades de saúde de Manaus.

“Saia do gabinete do ar-condicionado e vá para dentro das unidades de saúde. Vá lá ver como está o salário dos trabalhadores, dos médicos, dos enfermeiros e dos maqueiros. Eu não vou permitir que você jogue a sua irresponsabilidade no SAMU”, afirmou Renato Junior.

As denúncias apresentadas durante a vistoria são atribuídas ao prefeito e aos relatos registrados na unidade. A reportagem não apresenta, no conteúdo consultado, uma manifestação do Governo do Amazonas sobre as acusações feitas durante a inspeção.