A diretora do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) de Manaus, Helen Assunção, divulgou um vídeo nesta terça-feira (29) para rebater acusações de que o serviço estaria contribuindo para a superlotação do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. Segundo ela, a informação é equivocada e não considera os critérios técnicos utilizados pela Central de Regulação para definir o destino dos pacientes atendidos pelas equipes de emergência.

Durante o pronunciamento, Helen explicou que o Samu não encaminha os pacientes exclusivamente para o Hospital 28 de Agosto. De acordo com a diretora, os atendimentos são distribuídos entre as unidades da rede estadual que possuem condições de receber cada ocorrência. Para definir o destino, são considerados fatores como a gravidade do caso, a especialidade médica necessária e a disponibilidade de estrutura de cada hospital em tempo real.

A diretora afirmou ainda que os pacientes classificados como casos graves, identificados pelas cores vermelha e amarela, são encaminhados com base em um painel de monitoramento atualizado continuamente pela Central de Regulação. O sistema permite verificar quais unidades possuem capacidade para receber novos pacientes e quais serviços estão temporariamente indisponíveis.

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Helen também citou problemas estruturais em algumas unidades da rede estadual que, segundo ela, acabam dificultando o trabalho das equipes de atendimento pré-hospitalar. Entre as situações mencionadas estão SPAs que não possuem aparelho de raio-X funcionando e unidades sem ortopedistas disponíveis para atender pacientes vítimas de traumas.

“Não posso levar um paciente com fratura para uma unidade que não tem ortopedista nem raio-X. Isso compromete o atendimento e coloca o paciente em risco”, afirmou a diretora.

Para contestar a versão de que o Hospital 28 de Agosto seria o principal destino das ambulâncias do Samu, Helen apresentou números de encaminhamentos realizados pelo serviço. Segundo os dados divulgados por ela, o Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo foi a unidade que mais recebeu pacientes encaminhados pelo Samu, com 5.935 remoções. O 28 de Agosto aparece em seguida, com cerca de 5 mil pacientes encaminhados. Já o Hospital João Lúcio recebeu 3.987 ocorrências, principalmente relacionadas a casos de neurotrauma, área de especialidade da unidade.

A diretora também afirmou que existem registros documentados de momentos em que hospitais e SPAs comunicaram indisponibilidade de leitos ou de recursos necessários para atender pacientes de urgência. Nessas situações, segundo ela, a Central de Regulação precisa buscar outras unidades que tenham condições de receber os pacientes e garantir a continuidade da assistência.

Ao final do vídeo, Helen pediu respeito aos profissionais que atuam no Samu e destacou que o serviço trabalha seguindo critérios técnicos, tendo como principal objetivo salvar vidas.

A manifestação recebeu apoio do secretário municipal de Saúde, que declarou endossar as afirmações da diretora. Ele também criticou o que classificou como uso político do Samu por parte do Governo do Amazonas em meio ao cenário eleitoral. Em nota, afirmou que não aceitará que o serviço seja alvo de “informações distorcidas” e reforçou que os encaminhamentos seguem protocolos técnicos estabelecidos pela Central de Regulação.

Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), o Samu 192 realizou, ao longo de seus 20 anos de funcionamento, mais de 1 milhão de atendimentos de urgência e emergência em Manaus, atuando no atendimento pré-hospitalar e na redução do risco de morte da população.